domingo, 13 de maio de 2012

Impressões maternas




Sobre ti poderia escrever livros
só de agradecimentos e orgulho.
Sobre ti poderia falar pela eternidade
só do tudo que aprendi desde a tenra idade.

Mas não há espaço suficiente, nem digno, 
que consiga abarcar, em palavras,
o que apenas você soube me ensinar.
Uma mãe em forma de professora 
Uma professora em forma de mãe.

Poderia apenas ter me dito, explicado, 
Com a paciência e o carinho característicos.
Mas, como sempre, fostes além.
Mostrastes todos os caminhos,
Através do próprio exemplo!

Desde os princípios éticos que regem meu caráter,
até a sensibilidade de lidar com as pessoas
da maneira mais humana que conheço!

Se sentes orgulho de mim, 
e eu sinto um imenso por ti,
Se se sentes feliz por mim, 
e me sinto imensamente por ti,
Se me consideras especial, 
e te considero a maior especialidade das galáxias,
Então te direi duas coisas:

Primeiro, mãe é mãe e sempre sentirá
tudo isso pelos filhotes;
Mas, sobretudo, se sentes tudo isso
Saibas que é reflexo do teu empenho incondicional 
para conosco, teus filhos!

Obrigado por ter me dado a honra 
de ser teu xerox colorido 3D
e engraçadinho desta vida!

Porque procurarei manter sempre vivas
as cores por ti impressas no papel em branco,
que tanto admira os tons fortes das tuas qualidades!

Papel que me cabe agora, já não mais tão branco,
de reconhecer e externar, entre tantas outras coisas,
que não é só impressão,
o mais profundo amor que sinto por ti,
Hab dich lieb, Meine Mama!

sábado, 21 de abril de 2012

Torneira de ideias

Com gosto de menta na boca, ainda assim não sabia o que escrever. Mantém esse costume, na esperança de sempre dar certo. Hoje não deu. Percebeu cedo que as melhores idéias lhe apareciam enquanto escovava os dentes. Frases de efeito, introduções interessantes para textos, formas inovadoras para qualquer situação do cotidiano - tudo já surgira enquanto massageava a gengiva e esterilizava a dentina. 

O motivo do fenômeno ele ainda tentava descobrir. Através da mesma metodologia – ora, se é durante o escovar que surgem os insights, seria do mesmo modus operandi que a explicação haveria de aflorar. Uma das suas teorias aponta para a maior irrigação do cérebro, pois a pia baixa o obriga a ficar naquela posição hilariamente explorada no Best-Seller “Por que homens fazem sexo e as mulheres fazem amor”. Segundo a publicação, todo homem escova os dentes com as duas pernas bem afastadas, tronco vertiginosamente inclinado para frente e bumbum arrebitado, afim de evitar qualquer sujeira além dos limites daquele esquadro. Mas, se esse fosse o motivo, filósofos orientais já teriam dito a milênios que pensar de ponta-cabeça melhoraria a criatividade. Aliás, durante uma das higienizações bucais percebeu a sorte que a humanidade teve ao não ser apresentada (ainda) a esse método “morcegal” de meditação.

Desta vez, porém, nada lhe adiantava. Escrever o que? Com que argumentação, com que propósito? Resolveu escovar os dentes novamente. Vai que... Seria a marca do creme dental? Estaria a “menta gelada” a arrefecer sua criatividade? Quando se deu conta, pensava em qualquer coisa relacionada ao Facebook, enquanto fazia embaixadinha com sua bola Reebook e praticava o movimento de “sobe e desce” da escova nos dentes frontais, há 10 metros do banheiro. “Desse jeito, jamais terás um insight digno de nota, traste”. Concluiu o enxágüe, vestiu-se e passou o perfume em forma de granada: “Esse diesel deve ser incendiário”.

Sentou-se ao seu laptop ou notebook, nunca digitou ambos no Google com “+ diferença”, para distingui-los em seus textos. Abriu o Word. Começou a escrever sobre qualquer coisa cotidiana, citou livro de auto-ajuda, citou também suas teorias mirabolantes e mostrou seu lado maluco. Gostou do texto e finalmente postou algo no seu blog, cujo nome é um trocadilho imperdoável com o do próprio autor. Satisfez a angustia de milhões e milhões de pedidos. Do seu senso de responsabilidade, do seu ego, do seu instinto criativo e, principalmente, do seu maior bálsamo, o nonsense. 

Porque escrever sobre o fato de não saber o que, não é uma idéia digna de uma caprichada escovação dental. 

domingo, 4 de março de 2012

Reflexos de Comportamento

Quando finalmente decidiu descansar, reclinou sua cabeça contra a poltrona e relaxou. Dois segundos depois, um forte feixe de luz ultrapassou a proteção dos seus óculos de sol e, mesmo de olhos fechados, sentiu uma pontada no globo ocular. Inclinou-se novamente para frente e olhou para o lado, indignado.

"Não é possível!", murmurou mentalmente. "Será que essa senhora não percebe o quanto está sendo inconveniente?"

Do seu lado esquerdo, sentada na poltrona da janela do avião, a senhora de 70 e todos os anos protagonizava uma cena, no mínimo, peculiar para aquele jovem jornalista: segurava o seu iPad... Não, calma. Assim não parece tão interessante, vamos reformular. A velhinha de 70 anos (e lá vai Abraham Lincoln) segurava o seu tablet de última geração no colo e vizualizava nele uma quantidade infindável de apresentações em PowerPoint.

Do pouco que o jornalista enxerido conseguiu perceber, tratava-se daquelas mensagens motivacionais típicas de "correntes de e-mail". Imaginava o bisbilhoteiro jovem, o que faria a distinta senhora, se ao final de uma das mensagens estivesse escrito: "Mande essa mensagem para 7 bilhões de contatos! Caso contrário, na sua próxima viagem de avião, a aeronave irá se desintegrar em pleno voo, a começar pela sua poltrona!"

Mal havia terminado de imaginar a insólita cena e um novo feixe de luz cegava-o momentaneamente. Como era um voo por volta das 10h da manhã, a luz do sol entrava pela janela e refletia na tela do iPad, que, quando inclinado para a direita, redirecionava o feixe contra os olhos do viajante, já quase caolho.

Minutos antes, ele lia sua revista superinteressante que havia comprado no aeroporto. Até então, a posição de leitura, com a cabeça abaixada, evitava que os feixes o atingissem "em cheio". Vez ou outra, o dito jornalista via um clarão seguido por bolinhas pretas flutuantes nas páginas da revista, mas nada grave.

Contudo, cansou-se da leitura com tamanha intermitência entre claridade e escuridão, e decidiu descansar. Foi quando o feixe de luz atravessou suas pálpebras e quase derreteu sua íris verde. Olhou para o lado e tentou entender a situação. Percebeu que também a outra senhora, do seu lado direito, estava sendo atingida pelos raios lasers de Jedi, emitidos pela "iSpada" (sorry, Steve Jobs) daquela senhora, a quem o impiedoso jornalista já classificava como "putz, totalmente sem desconfiômetro!".

Avaliou os prós e contras de uma intervenção. Decidiu agir. Tentando manter a polidez, disse à velhinha: "Oi, desculpe, a senhora poderia, por favor, fechar a sua janela? É que o sol está refletindo na gente e...". Sem precisar nem completar a frase, ela baixou a "tampa" da janela.

"Obrigado!", agradeceu, com ênfase no tom educado e cordial. "Obrigada, também˜, respondeu a senhora, carinhosamente, para espanto do jornalista. Então ela decidiu completar a surpresa com a seguinte frase: "A luz também estava me atrapalhando muito, estou até com os olhos doloridos. Não achava um jeito agradável para ler no iPad e fiquei aqui virando a tela de um lado para o outro. Mas como você estava lendo sua revista, não quis fechar a janela completamente e te deixar no escuro..."

O jornalista espertalhão percebeu, então, que perdera não apenas o sono, mas toda a razão. E ficou quieto, a filosofar, olhar fixo no teto do avião: "como é fácil pré-julgar, sem perceber quem realmente está causando todo o problema", divagou. Era mais um daqueles estresses em vão.

domingo, 18 de dezembro de 2011

A Janela Secreta

Particularmente, não há nada mais fascinante em uma fotografia do que não saber como ela foi capturada. As de baixo tendem a causar essa dúvida, até porque o jogo de luz e sombras sempre dá margem a várias interpretações.

Fotos: Klaus Pettinger (clique na foto para ampliar)




Ainda em dúvida sobre como foram feitas essas fotos?
A foto abaixo mata a charada?

Interessante o que se pode fazer com um pôr-do-sol (ou luzes da rua, na segunda foto), uma janela e uma parede!

Futografando


Sempre quis ter uma imagem própria sobre minha
imensa, estrondosa e infotografável
capacidade futebolística...


Capacidade? Nem futebolística, nem fotográfica. Essa produção futográfica podia ao menos ter uma chuteira... 
Ah, foi gol.
Mentira, nem isso...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O lugar mais frio do Paraná

Gazeta do Povo

Entre Rios poderia bem chamar-se Entre Geleiras. Hoje, os termômetros do Simepar, na FAPA, registraram -3,4º C, a temperatura mais baixa do ano em todo o Paraná. Para amanhã, mais um pouco de frio deverá aquecer nosso ego - e congelar até o último bicho geográfico do dedão do pé esquerdo.

A despeito da cãibra de tanto bater o queixo, seguem algumas fotos deste fenômeno chamado geada, de tão natural que a gente quase nem sente mais. Bem capaz, de certo, loco do céu...

Foto: Klaus Pettinger
Às 9h20 da manhã a geada ainda permanecia, 
teimosa, intocada pelos raios do sol.


Foto: Klaus Pettinger

Ao contrário do que normalmente ocorre, o dia amanheceu 
nublado, com o que a paisagem parecia ainda mais européia!

Foto: Klaus Pettinger

Poucas nuvens, pouco sol e muita geada!

O noticiário estadual, e até o nacional, repercutiu nossa mania pé frio de ser.

Do site da Gazeta do Povo

Do site da Gazeta do Povo
E atenção para o momento ¨profético-meteorológico¨ do ano:
Deste jeito, com a chuva que chove aqui e os buracos que se abrem neste lugar, das poças d`água verterão geleiras e das crateras serão feitas pistas de gelo, de modo que tapas buracos naturais e cristalinos solucionarão todos os problemas das estradas de barro deste distrito! Quem sobreviver, verá! 


Voltamos agora à nossa congelação normal...


Atualização: agora, às 23h18 de segunda-feira, o Simepar conta -0,8º C. Previsão atualizada de mínima para amanhã: -4º C!!! Se passar disso, quebra o recorde da série histórica do Simepar, que é justamente de -4º C para a estação de Guarapuava (segundo me consta). Haja cobertor.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ratinho de laboratório

Quando pequeno, pequeno Klaus (era dos menores, mesmo) tinha uma bicicleta vermelha. Minúscula. Lembra vagamente quando, pela primeira vez, equilibrou-se nela, sem rodinhas e a segurança dos braços da mãe (ou do pai?) dera vez à inesperada liberdade. Seguida de um tombo, claro. Sobre a grama fofa.

Lembra bem, quando ganhou sua nova bicicleta, tamanho médio. Na realidade uma ¨reciclagem¨ da Caloi de primos mais velhos. Andou no barro, sujou uniformes, rasgou uniformes na altura do joelho, rasgou o joelho na altura do queixo. Caiu de um precipícios de 1 metro, de cara no tijolo e só fez um cortezinho. Escorregou, quase parado sobre casacalho solto, e esfolou a coxa inteira.

Barbeiro, o pequeno Klaus cresceu. Devagar, mas cresceu. Ganhou uma bike de 18 marchas, câmbio shimano, pneu ¨slick¨, transformada em sinônimo de sua liberdade. Programa predileto: ir ao mercado e voltar com uma lata de coca pendurada na sacola do lado direito do guidon (mão direita segurando a alça e o freio) e, na outra mão, uma casquinha, com cada vez menos bola de napolitano, que se dissolvia com o vento quente e secava no uniforme branco do colégio. Sua mãe odiava a bicicleta.

Aulas à tarde? Ia de bike. Jogo à noite? Ia de ¨bici¨. Festinha? Bom, aí pegava uma carona. Da perna de flamingo até que brotavam alguns músculos, que lhe alimentavam um pouco o pequeno ego costumeiramente desinflado.

O ciclista... Ou melhor, o bicileteiro Klaus viu o assassinato sumário de sua pedalada rotineira quando passou no vestibular. Sonhava, em meio às teorias da comunicação, como poderia trazer a bike para a cidade ¨grande¨, onde guardá-la, onde prendê-la, como não vê-la furtada? Trocou-a por um fusca.

Barbeiro, o pequeno Klaus bateu o fusca, mas nunca mais matou a vontade de pedalar. Jornalista formado, sua nova manchete seria: ¨Aposentado, Klaus pretende dar a pedalada de despedida pela seleção¨. Pança para tanto, já tinha. Arriscou algumas voltas pelas colônias do distrito, mas o pique esvaiu-se novamente pelos aros.

Foi à academia e chegou a fazer spinning, aquela loucura em forma de aula aeróbica, que quando não infarta, mata do coração.

Vez ou outra tomava coragem, pegava sua bike, empurrava-a por um quilômetro até o posto de combustível, inflava-lhe os pneus ressecados, saía pedalando a idosa magrela rangente e desistia no terceiro dia.

Era custoso, pensava, chegar do trabalho, trocar de roupa, pegar a bike, sair pedalando, cumprimentar conhecidos e, o pior de tudo: ainda encarar o caminho de volta!!!

Até que teve uma idéia genial.

Pesquisou, informou-se, pediu a opinião de próximos e decidiu: vai comprar uma bicicleta ergométrica. Sim, um luxuoso cabideiro. No qual é possível sentar-se de sapato, calça jeans, camisa, tirar o celular do bolso, botar uma musica qualquer e pedalar 15 a 20 minutos (ou até cansar). Não precisa cumprimentar ninguém, não precisa se preparar, não precisa inflar pneu e, o melhor de tudo: não precisa fazer o caminho de volta!!!

O teimoso Klaus voltou a pedalar. Colocou a ergométrica de frente para uma janela e o reflexo logo lhe permitiu uma bela conclusão. Pedalando freneticamente, com a bunda empinada, pra cima e pra baixo, com a língua de fora, finalmente o ex-pequeno, o ex-barbeiro, o ex-atleta, o ex-vagabundo, virou: um hamster!!!